domingo, 13 de setembro de 2015

Carta #6

Então? Como estás?
Há muito tempo que não te escrevo, que não te falo, mas cada vez mais as palavras me faltam. Não sei bem o que te dizer ou como te contar o que se passa à minha volta. Alguns devem achar que sou louca. Será que sou mesmo? Afinal onde estás tu? Continuas comigo? A verdade é que tenho cada vez mais dúvidas e começa a ser cada vez mais difícil encarar a ideia de que desapareceste mesmo.
Não queria que nada disto tivesse acontecido e dava tudo para estar agora contigo em vez de estar a escrever-te palavras muito cheias de dúvidas e de perguntas. Queria antes sentir a tua mão na minha, os teus braços a abraçar-me.
Nunca mais vou poder ter isso, só posso ter as memórias. As memórias do teu cheiro, do teu toque, da tua voz, dos teus gestos, da tua maneira de ser, da tua maneira de falar. Memórias, apenas memórias.
No outro dia, enquanto falava com uma amiga, ela disse que já quase não se lembrava da cara da avó que tinha morrido, só recordava quando olhava para as fotografias. Senti medo, muito. Não quero esquecer nada de ti, não quero esquecer nada teu.
É assustador, muito!
Por favor, dá-me um sinal. Dá-me algo.
Com saudades.

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