sábado, 30 de maio de 2015

30 Day Blog Challenge #5

5- A time you thought about ending your own life.

Este devia ter saído ontem, mas nem consegui vir aqui, por isso sai um dia atrasado (mas sai)!

Este é sempre um tema complicado para mim, porque tenho que relembrar imensas coisas que nunca quero relembrar. No fundo, estou a tentar recalca-las para o fundo do meu consciente para que não apareçam quando menos espero ou quero.

Há uns tempos morreu um amigo meu num acidente de carro e, em parte, sempre me culpei por causa daquela morte. E a verdade é que tive mesmo culpa, posso não ter tido toda a culpa, mas uma parte pertence-me a mim. As cartas que escrevo aqui são para ele, porque preciso de lhe falar e preciso de lhe escrever o que não consigo falar. Foi, ainda é, muito complicado para mim lidar com a morte dele. Foi de surpresa, não estava mesmo nada à espera. Isso abalou-me a mim e ao meu mundo. Senti-me perdida e sem esperança.
Passado algum tempo, morreu uma amiga minha de cancro. Pensei que já estava pronta para a ver morrer, porque via a doença a comê-la, literalmente, todos os dias, mas não estava. Enganei-me. Vemos alguém a degradar-se todos os dias por causa duma estúpida doença e não podemos fazer nada. Nada! Senti-me tão inútil. Acho que ela me deu mais força a mim do que eu a ela. Estava sempre com um sorriso na cara, mesmo doente, mantinha a esperança no mais alto nível. Nunca falei muito com ela sobre a doença, ela não queria e dizia sempre que, para além das dores que sentia e de toda a maldade que a doença lhe estava a fazer, queria esquecer, queria tentar aproveitar os momentos como se fossem os últimos. Quem parecia doente era eu, não ela.
Uns meses depois, morreu outro amigo com cancro. Parece que esta doença tem mesmo o dom de arruinar a vida das pessoas. Chegou uma altura em que o cabelo dele ia começar a cair, por isso ele decidiu cortar, pensou que seria mais fácil para ele. Pediu-me que fosse com ele e quando percebi que estava a ser mesmo difícil para ele, só se queria ir embora e estava a chorar, juntei-me a ele e cortei o cabelo com ele. Custou-me, não digo que não, mas fez-me sentir tão bem aquele sorriso que ele me ofereceu. Fiquei a parecer um rapaz, mas o que importa o que os outros dizem? Pouco tempo depois, ele morreu. Mais uma vez o meu mundo caiu e olhar-me ao espelho todos os dias com o cabelo curto foi-me consumindo aos poucos.


Foi uma altura muito difícil para mim. Comecei a afastar-me de toda a gente que me rodeava. A escola deixou de fazer sentido para mim, fui aparecendo cada vez menos. Estar com os meus amigos parecia uma tortura, não queria que eles notassem que eu estava mesmo mal, por isso fingia sempre sorrisos, fingia que estava bem. Sair de casa às vezes não parecia uma boa ideia. Houve dias em que acordei a chorar, houve noites que passei a chorar. Estava a sentir-me vazia, sem valor, sentia-me algo que podia desaparecer sem que alguém notasse ou sem que alguém se importasse. Mil perguntas cresciam na minha cabeça. Foi aí que a minha mente começou a pensar na alternativa de me matar. Quem iria sentir a falta de alguém que já nem estava lá? Uma parte de mim tinha sido levada com cada um deles. Eu era um zero, eu era merda. A culpa que estava dentro de mim ia-me consumindo cada vez mais. Porque é que eu merecia estar aqui e eles não? Porque é que eu merecia ter uma vida e eles não?
Cheguei ao ponto de desespero. Tentei a primeira vez, mas uma amiga salvou-me. Tentei a segunda e novamente alguém apareceu. Ainda me sentia pior, eu queria, mas havia algo que não estava a deixar acontecer. Pegaram em mim e falaram comigo e fizeram-me falar. Apercebi-me que acabar com a nossa vida não é solução. Temos uma vida para viver, para aproveitar e temos de seguir com ela. Como já me disseram, nem todos passamos pelo mesmo, as pessoas passam por aquilo que Deus acredita que são capazes de ultrapassar. Nem todos têm grandes problemas na vida, nem todos vivem da mesma maneira, porque não somos todos iguais e não temos todos a mesma garra e a mesma força.
Estas palavras tiveram um efeito em mim, não sei se sou alguém que se possa considerar forte ou não, mas sei que tenho mais vontade de viver do que nunca e tenho mais vontade de ajudar os outros do que nunca.

1 comentário:

  1. ohh és linda, gosto tantoooo de ti pandinha, nunca te esqueças disso, estou aqui para tudo tu já sabes! Seja para rir, para chorar, para gritar seja o que for estou aqui e não te vou deixar ir abaixo ou se fores estou aqui para te levantar! Podes pensar que não, mas és forte. Loveee you forever <3

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